A Tribuna demite redatora

A rotatividade na redação virou rotina. A insatisfação dos jornalistas também é grande, uma vez que não há critérios claros para os trabalhadores da política de pessoal da empresa. De janeiro até agora cerca de 12 profissionais deixaram o jornal. A maioria pediu demissão. 

A jornalista e redatora de A Tribuna, Maria Ângela Costa Siqueira, foi demitida na sexta-feira, dia 18 de abril. Sem explicações, a jornalista deixou a empresa, depois de 6,5 anos de trabalho, sem saber o motivo de sua demissão. Aliás, demitir sem motivação é uma praxe no jornal.

 

No início do mês,  o jornal também dispensou o fotógrafo Luiz Pajaú, 58 anos. A demissão, no entanto, foi cancelada, devido a sua reprovação no exame demissional feito pelo próprio departamento de Medicina e Segurança no Trabalho de A Tribuna. Foi constatada uma Lesão por Esforço Repetitivo (LER) no cotovelo do braço direito, adquirida com o trabalho do fotografo.

Pajaú está afastado das suas atividades, recebendo o auxílio doença da Previdência Social, por ter adquirido uma doença ocupacional. O afastamento de Pajaú é necessário para que ele possa fazer o tratamento médico e recuperar-se da lesão.

Demissão imotivada é arma do patrão

Nas reuniões de negociação da campanha salarial, o sindicato – como faz todos os anos – vai questionar as empresas que demitem sem uma justa causa. A entidade quer garantir o direito dos trabalhadores ao pleno emprego. Outra situação que será levada à discussão com os patrões é a rotatividade nas redações. O sindicato quer aproveitar o momento em que a Convenção 158 da OIT está no Congresso Nacional para ser ratificada. “Trata-se de importante convenção — já foi ratificada pelo Congresso em 1992 e denunciada por FHC em 1996 — que inibe a dispensa de empregados a menos que exista causa justificada relacionada à capacidade, comportamento ou necessidade de funcionamento da empresa, estabelecimento ou serviço, conforme seu artigo 4º”, explica o advogado do Sindicato Andre Moreira.

Desvalorização profissional
“Reconhecimento, promoção, carreira e sucesso são os desejos da maior parte das pessoas neste mundo globalizado. Mas os jornalistas vivem um paradoxo. São profissionais cada vez mais requisitadas para desenvolver as áreas da atividade humana. Os investimentos nas empresas de comunicação crescem a taxas recordes, para atender a uma demanda também crescente. Mas, ao mesmo tempo, os jornalistas – passando pelos publicitários, a repórteres fotográficos e cinematográficos – vêem atacadas todas as iniciativas de organização das categorias e achatados, sem justificativa plausível, os salários”, questiona a presidente do Sindijornalistas, Suzana Tatagiba.

Na redação do Jornal A Tribuna o exemplo dessa situação não poderia ser melhor. O jornal bate recordes de tiragem e vendas, mas os profissionais são explorados de toda forma. Perdem as horas extras que fazem, pois o jornal glosa o pagamento. Sujeitam-se a trocar o crachá de empregado pelo de visitante, quando a jornada de cinco horas já foi consumida e as tarefas ainda estão pela metade. Sem falar no assédio moral de alguns editores que com suas ações repreensivas humilham os profissionais. 

“É certo que muitos companheiros não estão satisfeitos e preferem deixar a redação, e enfrentar o mercado saturado, como aconteceu nos primeiros meses deste ano”, conta o ex-diretor do Sindicato, Julio Pater. Para ele, não é compreensível ver o jornal desprestigiar e desvalorizar  profissionais que jogam em todas as posições na redação, pensam, buscam, organizam, traduzem, dão a forma e promovem a comunicação e o veículo para o qual trabalham.