Artigo | Jornalismo, essencial à vida

Em tempos de uma avassaladora pandemia de mentiras, popularizadas  como fake news, passamos a conviver, também, com a Covid-19 que vem deixando milhares de mortos e infectados em todo o mundo. No Brasil, a situação se agrava, ainda mais, diante da crise política provocada pelo governo federal que insiste em negar a ciência e não reconhece a gravidade  e a letalidade da doença provocada pelo novo corona vírus .

É neste cenário, de permanente risco de contaminação, que o jornalismo tem levado informação à sociedade contribuindo, desta forma, para a conscientização sobre cuidados e hábitos necessários para a não proliferação da doença. Sem dúvida, um trabalho vivenciado na  contramão de um governo e, em particular, de um presidente, que ignora e despreza recomendações médicas e incentiva a sociedade a seguir seu mau exemplo registrado em incontáveis atitudes.

Tais atitudes não se restringem à figura presidencial de Jair Bolsonaro, mas, também a seu governo como um todo já que, mesmo depois de mais de três meses da doença, não há sequer uma campanha nacional com informações ou orientações sobre combate ao coronavírus.

Importante ressaltar que neste conturbado universo, o trabalho jornalístico tem enfrentado as mais diversas restrições na apuração e na divulgação de pesquisas, de números atualizados da doença e de ações ou de falta delas por parte de governos estaduais, bem como na publicação de  recomendações da comunidade científica.

Mesmo diante da falta de ações propositivas por parte do governo federal, em grande medida, a sociedade tem se prevenido contra a Covid-19, reforçando nossa conhecida premissa de que o “jornalismo é essencial à vida”. A nosso ver, o trabalho cotidiano do jornalismo se junta ao dos profissionais da saúde, dentre tantos outros que não puderam parar, na defesa da vida e contra a necropolitica defendida pelo governo Bolsonaro. Repudiamos esta politica que aposta na perda de milhares de  vidas. Que desacredita no jornalismo e na ciência, que valida e propaga o negacionismo, que espalha milhares de mentiras.

Defendemos que valorizar e proteger os jornalistas é defender a vida. Chamamos empresas e governos para valorizar o jornalismo, uma profissão importantíssima mas renegada por grande parte de setores públicos e privados. O que vimos no Espírito Santo, diante da pandemia, foi demissão em massa na TV Vitória, mesmo com a possibilidade da suspensão de contratos que o governo permitiu; reduções salariais nas demais empresas e até mesmo demissão sem pagamento das verbas rescisórias conforme determina a Lei, caso da TV Capixaba.

Na Record News, no mesmo dia em que a empresa reclamava de falta de verbas, o Diário Oficial publicava um contrato milionário com o governo Casagrande. Ou seja, o desrespeito e a falta de empatia do empresariado de comunicação local reflete uma constância do empresariado nacional contra jornalistas.  

Na Rede Tribuna, salário sendo cortado, com a ruptura de acordo, realizado para camuflar a composição da remuneração, sem permitir a complementação do governo; FGTS atrasados há meses.

Diante disto, jornalistas, reforçamos que, em caso de denúncia, fale com seu sindicato pelo email sindicato@sindijornalistases.org.br para as devidas providências. Temos atuado nas mais diversas frentes para garantir direitos conquistados pelo jornalismo.

Sigamos juntos pela valorização profissional e pela informação de qualidade! E nesse 01 de junho, Dia da Imprensa cumprimentamos toda a categoria dos jornalistas e, em particular aos que estão na luta, acreditando que, juntos, venceremos a covid-19!

Tenham a certeza, jornalistas, de que nossa atuação salva vidas!

Douglas Dantas, diretor da Fenaj e coordenador geral do Sindijornalistas.