Com seis dias de atraso salarial, Rede Tribuna não confirma quando honrará pagamentos

 


Até esta sexta-feira (21/6) a maioria dos jornalistas da Rede Tribuna (Nassau Emissora Rádio e TV LTDA) não recebeu o pagamento referente a quinzena do mês de junho, sendo assim completou 6 dias de atraso no pagamento.

Hoje, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Espírito Santo (Sindijornalistas), Douglas Dantas, ligou para a diretora de RH da Rede Tribuna, Ângela Soares. A diretora afirmou que não há qualquer previsão de pagamento e que os únicos que haviam recebido foram os funcionários da limpeza e jornaleiros.

Em contato anterior com a empresa, o diretor Julio Paternostro, foi informado que o pagamento seria realizado, caso a empresa tivesse caixa para o mesmo. E que em caso de não ter dinheiro suficiente, os profissionais da empresa com menores salários receberiam primeiro.

A empresa alega que o pagamento da quinzena é um “adiantamento”, mas o Sindijornalistas entende que, devido à habitualidade desse pagamento no dia 15 de cada mês, cada atraso causa prejuízos aos jornalistas, que programam parte do pagamento de suas contas com este recurso.

Em junho, houve jornalistas que receberam o salário cerca de uma semana após o 5° dia útil. No último mês de março, o pagamento da quinzena foi realizado com oito dias de atraso, após a diretoria do Sindicato dos Jornalistas passar uma semana cobrando um posicionamento da empresa. Em abril, também houve atraso.

O Sindjornalistas reforça a importância dos profissionais da empresa se filiarem ao sindicato para que a categoria se torne mais forte e mais unida, inclusive comparecendo nas assembleias para as quais é convocada. Jornalistas são trabalhadores e precisam se reconhecer como tal, na busca por seus direitos.

Disputa de herdeiros

A situação do Grupo João Santos, que controla entre outras empresas a Rede Tribuna (Nassau Editora Rádio e Televisão LTDA) se agravou após o falecimento de seu principal acionista. Após isso, os herdeiros não conseguem chegar em acordo quanto a administração da empresa.

Mesmo com dívidas trabalhistas e constantes atrasos nos salários, conforme reportagem do jornal Valor Econômico, de 14 de setembro de 2018, parte dos herdeiros denunciou inclusive à Polícia Federal que dois principais acionistas teriam retirado milhões das contas da empresa para suas contas pessoais.

“Falecido em 2009, com quase 102 anos, o patriarca João Santos teve seis filhos, dos quais quatro estão vivos. Pouco antes de morrer, o empresário, que deixou ainda 15 netos, fez um arranjo em que a condução dos negócios da família ficou exclusivamente nas mãos de Fernando e José, hoje com 71 e 80 anos, respectivamente”, diz trecho da reportagem.

O texto diz ainda que “(…) eles teriam estabelecido para si salários de mais de R$ 20 milhões anuais cada um, enquanto suspenderam a ‘remuneração a título de conselho consultivo’ dada às irmãs, espécie de ‘mesada’ estabelecida porque a empresa não estava obtendo lucro para distribuir dividendos”.

Processos

O Sindijornalistas possui dois processos na Justiça. Um já transitado em julgado quanto a pagamento de horas-extras que durante anos a empresa se negou a pagar os jornalistas que as realizavam. Já está em fase de execução.

Também tramita na Justiça outra ação para devida responsabilização da empresa diante aos constantes atrasos salarais, bem como parcelamento de verbas rescisórias e outras irregularidades trabalhistas.

O Sindijornalistas lamenta a situação em que se encontra um dos principais grupos de comunicação do Estado e se solidariza, adotando todas as medidas cabíveis, com os profissionais que, mesmo com o descumprimento das obrigações por parte da empresa, continuam a atuar para levar informação à sociedade.