Começa V Semana pela Democratização da Comunicação

Começou na segunda-feira (18) a V Semana pela Democratização da Comunicação. Com o tema o papel político da mídia na sociedade, a mesa de abertura contou com a presença do representante do Núcleo Piratininga de Comunicação Vito Giannotti, da membro do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos da Serra Marta Falqueto e da representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) Ednalva Moreira Gomes.

Em sua palestra Vito Giannotti destacou que a “grande mídia” tem como papel dar sustento ao capital, buscando manter as desigualdades sociais. Ele usou como exemplo disso a total oposição ao Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNH 3) por parte de veículos como revista Veja, Folha de S.Paulo e O Globo. “O PNH defendia, por exemplo, o limite da propriedade de terra, controle social da mídia e prisão para os torturadores da época da ditadura. Por ser um plano básico para a democracia acabou sendo duramente atacado pela mídia burguesa”, afirma Vito Giannotti.

Para Vito Giannoti, não há possibilidade de promover mudanças na forma de se comunicar da “grande mídia”, mas há formas de lutar contra a hegemonia dos grandes meios de comunicação. “É preciso perder a ilusão de achar que vamos ter espaço na mídia burguesa para falar aquilo que defendemos. O que devemos fazer é criar os nossos próprios meios de comunicação. E não basta apenas criar, tem que ter qualidade para atrair as pessoas. Outro passo muito importante é a luta pela democratização da comunicação. As concessões de rádio e TV são públicas, portanto, temos o direito de ocupar esses espaços”, diz Vito Giannotti, que defende o financiamento público para veículos de comunicação populares como uma das formas de garantir a sobrevivência dessas mídias.

A membro do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos da Serra Marta Falqueto abriu sua palestra afirmando que a mídia não é o quarto poder, e sim, o primeiro. “A mídia tem mais poder do que os poderes constituídos. Faz e desfaz em prol do capital”, afirma Marta. Ela destacou também os preconceitos sustentados pelos grandes veículos de comunicação. “Um deles é o fato de se referir ao jovem de classe média que cometeu algum crime como adolescente, enquanto que o da periferia é chamado de menor infrator”, diz Marta, que salientou a omissão da grande mídia em relação a muitos acontecimentos de interesse público por ter compromissos comerciais com grandes empresas. “A Frente Alerta Contra o Deserto Verde instituiu o dia 21 de setembro como dia de combate aos monocultivos, mas nenhum jornal noticiou, pois são financiados pela Aracruz Celulose, atual Fibria”, explica.

A representante do MST Ednalva Moreira Gomes destacou a necessidade de criar novos meios e avançar nos meios já existentes, como o Jornal Brasil de Fato, criado e mantido por movimentos sociais como Via Campesina, MST e Consulta Popular. Para a secretária geral do Sindijornalistas Sueli de Freitas para avançar na questão da democratização da comunicação é preciso convencer as pessoas de que comunicação é algo que elas podem fazer. Ela salientou também que a emissão de informação deve seguir preceitos constitucionais. “A concessão não deve ser automática, como ocorre aqui no Brasil, deve-se analisar se a emissora está cumprindo aquilo que está na constituição em relação aos meios de comunicação. Também é importante ressaltar a necessidade de inserir nos currículos escolares desde o ensino fundamental a disciplina de leitura crítica da mídia para estimular as pessoas a não encararem toda informação transmitida para elas como verdade absoluta. Essa é uma batalha do Sindijornalistas, da Fenaj, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e outros movimentos”, defende Sueli.

A V Semana pela Democratização da Comunicação prosegue nesta terça-feira (19) com um debate sobre a formação em comunicação social e a regulamentação profissional do jornalismo, com a presidente do Sindijornalistas Suzana Tatagiba, um representante da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos) e o professor do Departamento de Comunicação Social da Ufes Edgar Rebouças. O debate será a partir das 19h, no Cemuni IV, localizado no Centro de Artes da Ufes.

 

V Semana pela Democratização da Comunicação, 18 a 21 de outubro.

Programação

Segunda-feira (18/10):

Mesa de abertura: O papel político da mídia na sociedade.
Horário: 19h
Local: Auditório do Cemuni IV  Centro de Artes – UFES
– Vito Gianotti (Núcleo Piratininga de Comunicação ? RJ)
– Marta Falqueto (Conselho de Defesa dos Direitos Humanos da Serra)
– Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Apresentação cultural: Jura Fernandes  voz e violão (no pátio do Cemuni IV – Centro de Artes – UFES)

Terça-feira (19/10)

Debate: A formação em comunicação social e a regulamentação profissional do
jornalismo.

Horário: 19h
Local: Auditório do Cemuni IV – Centro de Artes – UFES
– Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOS).
– Suzana Tatagiba (Presidente do Sindijornalistas/ES)

– Edgar Rebouças (Prof. Comunicação Social da UFES)

Quarta-feira (20/10)

Debate: Panorama do sistema de comunicação no país e balanço da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)

– Jacson Segundo (Coletivo Intervozes).
– Celso Schoroder (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC)
– Ruth Reis (Secretária de Comunicação da Prefeitura Municipal de Vitória).


Lançamento da revista "Relatório da 1ª Confecom" e do livro "Sistemas Públicos de Comunicação no mundo: experiências de doze países e o caso brasileiro", do Intervozes.

Quinta-feira (21/10)

19h: Mostra de Vídeos Populares do CCCP Olho da Rua.

Local: Casarão de Paul (Vila Velha) / Estrada Jerônimo Monteiro, s/n , próximo ao viaduto de Paul.

OFICINAS:
Inscrições:
cccp.olhodarua@gmail.com ou 3359-0727 e 9890-1017


Oficina de leitura crítica dos meios de comunicação. Observatório da Mídia
Regional (Projeto de pesquisa e extensão da UFES).
Vagas: 15 pessoas
Data: 19 e 20/10
Horário: 14h ÀS 17h
Local: Cemuni V

Oficina de vídeo. (Ramon Zagoto)
Vagas: 10 pessoas
Data: 18 a 20/10
Horário: 13h às 17h
Local: Laboratório de vídeo  Comunicação de Social -UFES

Oficina de rádio. (Aidê Malanquini).
Vagas: 10 pessoas
Data: 18 a 20/10
Horário: 13h às 17h
Local: Laboratório de áudio  Comunicação
Social – UFES