“Comunicação Social não é brincadeira”, diz Karde Mourão

Por Fernanda Coutinho

Reafirmando a importância do jornalista para a sociedade, a presidente da Comissão de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Karde Mourão, falou ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Espírito Santo (Sindijornalistas/ES), nesta quinta-feira (24/10).

Na próxima quarta-feira (30), ela será uma das palestrantes no evento “Ética em tempo de precarização do mercado de trabalho nas Assessorias de Comunicação”, que será realizado às 19h30, na Assembleia Legislativa do Espírito Santo.

O evento é gratuito e não precisa de inscrição.

Qual o principal desafio do jornalista que trabalha em assessoria de imprensa com a precarização do mercado de trabalho?

O primeiro desafio é o jornalista ter a consciência de que o Código de Ética é único, não é um código segmentado. Ele foi pensado, reformulado e poderá haver modificações, num futuro, devido às novas tecnologias. Mas ele é essencial e não sai se desdobrando a cada nova situação.

Um desafio do jornalista é trabalhar em ambientes em que ele acredita. Porque existe a escassez de postos de trabalho e há a pressão do trabalho, além do assédio moral.

As redações se tornaram enxutas e as assessorias são espaços que os jornalistas têm ocupado com dignidade. Porém, há empresas que contratam o jornalista, achando que ele vai resolver todos os problemas de imagem da corporação, de relacionamento com a mídia, acham que o profissional “é um mágico”.

Então, o maior desafio é sobreviver com baixos salários, estresse crônico e as condições de trabalho. Historicamente, existe um “glamour” em torno da profissão, que não é real.

A senhora acredita que existe um controle exacerbado da informação por parte das assessorias de imprensa nos órgãos públicos?

É um componente que vem de cima para baixo. Ou o profissional aceita, ou não aceita. É dever do assessor de imprensa dar a versão oficial e trabalhar sempre com a verdade.

Aí também entra o trabalho do jornalista, repórter das redações, que tem que fazer um trabalho investigativo e não somente na redação, por telefone. Alguns profissionais se acomodam em ter a versão oficial.

Mas o que existe hoje diante da pressão do trabalho não pode ser responsável pelo comportamento antiético. Existe uma matriz individual que lhe direciona para o seu comportamento.

Embora nossa categoria não seja um exemplo de unidade, a Fenaj e os 31 sindicatos no Brasil têm um Código de Ética aprovado em Congresso da Categoria, existe cartilha para orientar o trabalho.

Qual sua opinião sobre empresas que contratam pessoas sem formação acadêmica em jornalismo para ocupar postos de trabalho que poderiam ser de jornalistas?

Isso é exercício ilegal da profissão. Há 10 anos, o STF decidiu que não é necessário o diploma, que nossa categoria tem sido desrespeitada neste sentido também. É humilhante o que se passa no Congresso Nacional para se ter uma profissão regulamentada.

Comunicação Social não é brincadeira. Tem o argumento de que “não mata ninguém”. Mata, sim. Pode matar moralmente, se exercida por quem não conhece suas responsabilidades.

Foto: arquivo pessoal.