Concurso na área de comunicação da Ales continua emperrado

Os jornalistas e radialistas inscritos no concurso público – que selecionará profissionais para 28 cargos, na área de comunicação da Assembléia Legislativa -, estão no meio “de um jogo de empurra”, como se costuma dizer em relação a uma situação indefinida. A Ales arisca datas para as provas, mas diante da lentidão do NCE em apresentar um cronograma de continuidade, o concurso continua parado.

 

A expectativa do diretor geral da Assembléia Legislativa do ES (Ales), Bruno Marianelli, era realizar as provas objetivas e práticas para o final de junho e início de julho. Porém, o prazo para apresentação de novo cronograma não foi cumprido pela entidade contratada para aplicar o concurso, o Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ).

Bruno relatou ao Extra que na última reunião, ocorrida no dia 16 de maio, entre a equipe interna da Assembléia e os representantes do NCE, ficou definido que a entidade estudaria a possibilidade, junto à banca organizadora do concurso, de aplicar as provas a partir do dia 15/06/2008. O novo cronograma seria apresentado até o dia 23/05/2008.

Ainda segundo o diretor, outros contatos foram feitos cobrando uma posição do NCE, no dia 27/05/2008. “A resposta do NCE, na ocasião, era que haveria a possibilidade de aplicar as provas a partir do dia 22/06/2008, mas que a confirmação seria feita no dia 28 seguinte”, disse Marianelli.

Como não houve confirmação na data prevista, o diretor continuou insistindo e, no mesmo dia (28/05), cobrou novamente uma posição do NCE. “A informação obtida foi que até a terça-feira, dia 03/06, a programação de continuidade do concurso seria definitivamente apresentada”.  E de novo a entidade não cumpriu com a palavra.

No dia 04/06, outro contato telefônico foi mantido e outra promessa também foi feita pelo NCE, estabelecendo o dia 10/06 como prazo final para enviar o cronograma. Nesse jogo de “paciência”, a entidade não apresentou nada até o fechamento dessa edição do Extra, na manhã no dia 13/06.

Inscritos estão sem informação  

Apesar de as discussões entre a Ales e o NCE terem sido iniciadas a mais de dois meses, e como não há nenhuma informação nova que possa orientar os inscritos no site do concurso, o repórter fotográfico, Sérgio Cardoso fez uma consulta pelo e-mail de informações no site do NCE. A resposta foi “O NCE/UFRJ continua aguardando novo comunicado da ALES liberando a realização da prova, de forma que possamos elaborar novo cronograma, dando continuidade ao Concurso”.  (Leia na íntegra o e-mail enviado e recebido pelo Sérgio).  

Diante desse e-mail, o diretor geral da assembléia ficou indignado. “Até posso entender alguma dificuldade por parte do NCE em aplicar as provas num prazo curto, pois esse tipo de ação demanda planejamento. O que não entendo é o porquê do envio de um e-mail com esse tipo resposta a um inscrito”. O diretor se referia as negociações feitas com o NCE, em que até um aditivo ao contrato já foi celebrado, o que significa que o concurso está sendo encaminhado. Porém esses esclarecimentos não são repassados aos interessados.

O diretor da Ales cobrou uma explicação do NCE, que pediu desculpas pelo ocorrido, debitando o equívoco na conta de uma atendente do call-center, que enviou a mensagem padrão antiga. “Eu solicitei ao NCE que o pedido de desculpas fosse enviado à pessoa que recebeu o email, pois ela é quem realmente necessita dos esclarecimentos do NCE/UFRJ”, informou Bruno, se referindo ao repórter fotográfico Sérgio Cardoso.

Rompimento é prejudicial aos inscritos

O diretor geral explicou que a Assembléia pode tomar medidas que pressionem o NCE. “O contrato prevê medidas punitivas para a entidade contratada, caso ela não cumpra as obrigações estabelecidas. Porém, o que a Assembléia Legislativa quer é a continuidade e a realização das provas, com transparência, do Concurso. Denunciar o contrato só vai prejudicar quem pagou a inscrição. O objetivo da Casa é esgotar todos os caminhos do diálogo com o NCE e promover a retomada do cronograma”, finalizou.

O que rolou até agora – O concurso público foi aberto em fevereiro do ano passado, para preencher cargos na área de Comunicação Social, sendo 16 para o nível médio (radialistas) e 12 para o nível superior (para graduados em jornalismo). Todas as funções exigem que o candidato tenha registro profissional.

 

Em março de 2007, a seleção foi adiada porque o Tribunal de Contas encontrou irregularidades na formulação dos cargos disponíveis no edital. Na época, o conselheiro Mário Moreira comunicou ao Legislativo que a escolha dos cargos devia ser feita pelo plenário e não pela Mesa Diretora, como foi realizada.

Pressão – O Sindicato dos Jornalistas pressionou os deputados a darem continuidade ao processo de seleção. E as inscrições foram abertas no dia 10 de julho, encerrando-se em 31 de julho/2007.

No final do ano passado, o projeto de lei que determinava a realização do concurso recebeu o veto do governador. O plenário da assembléia derrubou o veto em fevereiro de 2008. O Concurso Público, inicialmente, previa provas para o dia 1º de abril de 2007, ou seja, a mais de um ano, para 1.564 candidatos inscritos. 

Sindijornalistas defende concurso público na Ales  – Para a presidente do Sindicato dos jornalistas, Suzana Tatagiba, é necessária a  profissionalização do serviço público no Brasil.  “A realização de concursos para cargos públicos e a correspondente redução dos comissionados é um dos princípios básicos para a melhoria da eficiência e princípio de igualdade e de oportunidade de acesso”.  

Suzana enfatiza que o concurso é resultado de um Termo de Compromisso entre a Mesa Diretora da Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo e a ONG Transparência Capixaba, assinado na gestão presidida pelo Deputado Cláudio Vereza (PT-ES) e referendado pela Mesa Diretora presidida pelo Deputado César Colnago (PSDB – ES).

“Além disso, relembra a presidente, o Poder Legislativo, de modo geral, e a Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo, de modo específico, têm grande descrédito junto à sociedade por conta de escândalos de corrupção ocorridos num passado recente. Portanto, a conclusão do concurso é uma questão ética para aquela Casa de Leis”.