Curso de pós-graduação em jornalismo da Ufes é criticado pela categoria

O Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) abriu um curso de pós-graduação em Jornalismo destinado a qualquer profissional que possua curso superior. A abertura do curso levou em consideração a decisão do STF de não exigência do diploma para atuar na área.

Aprovada no segundo semestre de 2009, a pós-graduação em Jornalismo foi aberta com o objetivo de propiciar uma atualização dos profissionais que já atuam na área de comunicação, mas também levou em consideração a decisão do STF de não exigir a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. “Criamos a pós-graduação para renovar os profissionais que estão no mercado, pois a área de comunicação mudou muito nos últimos anos. Mas também consideramos a decisão da não obrigatoriedade do diploma, possibilitando que todos os interessados em atuar na área tenham uma formação”, explicou Cléber Carminati, chefe de Departamento do curso de Comunicação da UFES.

O curso de pós-graduação em Jornalismo foi aprovado por unanimidade no Departamento de Comunicação da UFES e parte do pressuposto de que a decisão do STF é irreversível. “Consideramos que o fim do diploma está dado, o que não significa que vamos abrir mão de debater a precarização do trabalho do jornalista”, argumentou Carminati. Ele ainda reiterou que, diante da decisão do STF, é necessário revisar a grade curricular do curso de graduação em jornalismo. Para esse processo, o Departamento de Comunicação prevê a realização de uma Audiência Pública, que irá contar com a participação das entidades e movimentos sociais organizados.

Preocupação dos estudantes

A abertura do curso de pós-graduação tem recebido diversas críticas dos estudantes do curso de Comunicação Social da UFES. “O departamento aprovou muito rápido uma pós-graduação que é uma alternativa para quem não é formado em jornalismo. No entanto, cria poucas oportunidades para quem é formado na área e quer seguir a profissão”, relatou Leandro Nossa, integrante do Centro Acadêmico de Comunicação Social da UFES (CACOS). Ele ainda afirmou que a grade curricular da pós-graduação é muito parecida com a grade curricular da graduação. “Parece um supletivo em jornalismo”, afirmou Leandro.

Precarização profissional

Para Suzana Tatagiba, presidente do Sindijornalistas/ES, a abertura dessa pós-graduação contribui para a precarização da profissão de jornalista, já abalada pela decisão do STF da não obrigatoridade do diploma. “Estamos num momento decisivo de luta para reverter a posição do STF. Até agosto, no Congresso Nacional dos Jornalistas, temos uma agenda de lutas e mobilizações pela regulamentação e valorização da profissão. É uma lástima que o Departamento de Comunicação da Ufes já inicie a abertura de um curso que prevê a inclusão de não diplomados”, explicou Tatagiba. Ela ainda reiterou que é fundamental a participação dos professores universitários na luta pelo restabelecimento da obrigatoriedade do diploma.

“A Ufes deveria abrir uma pós-graduação que tivesse por objetivo principal qualificar o jornalista profissional, não oferecer um ‘supletivo’ para quem não é da área”, opinou a jornalista Flávia Fernandes. Ela ainda disse que em 1 ano e meio, duração da pós, não é possível se qualificar para o exercício de uma profissão como a de jornalista, que trabalha cotidianamente com questões sociais e políticas. Conforme a jornalista, em nenhuma outra área é possível exercer a profissão apenas com um curso de pós-graduação. “Se eu fizer um curso de Direito Constitucional, isso não me habilita a exercer a profissão de advogado”, exemplificou Flávia. Ela ainda reiterou que a categoria dos jornalistas precisa ser respeitada, não exercendo a profissão por brechas, mas sim de modo regulamentado.

“Achamos fundamental que a universidade ofereça cursos de pós-graduação para especialização em nossa área, mas não como uma solução rápida para quem não é formado em jornalismo. Somos contra essa postura”, reiterou Suzana Tatagiba.