Equipe de tv é expulsa de Terminal da Ceturb e Rede Vitória censura o caso

 

 

 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Espírito Santo manifesta repúdio ao tratamento truculento sofrido por uma equipe da TV Vitória, filiada da Rede Record no Estado e ao fato da emissora negar divulgar o caso.

 

A repórter Suelen Araujo e o cinegrafista Everaldo Monteiro foram ameaçados, por contratados da Ceturb, dentro do Terminal de Vila Velha, enquanto faziam reportagem sobre a paralisação dos rodoviários.

 

De acordo com Suelen, por volta das 7h30, ela e o cinegrafista pagaram passagem e embarcaram em um ônibus do Transcol com seus equipamentos de trabalho.

 

“Descemos no terminal, onde ficamos por mais de 1 hora, fazendo nosso trabalho. Foi quando dois homens uniformizados, que se apresentaram como seguranças, e um homem já mais velho, mas sem crachá, que se identificou como funcionário da Ceturb se aproximaram”, afirmou.

 

A repórter contou que os três, com truculência, exigiram que a equipe saísse do local. “Disseram que nós não respeitamos ninguém. Que somos um bando de m* e que dentro do terminal as autoridades eram eles. Falaram para o Everaldo: ‘Você está achando que você é quem? Fica se escondendo atrás de câmera e microfone. Lá na rua você não é ninguém não e eu vou te achar lá na rua'”.

 

A repórter relatou inclusive que um dos homens teria feito um gesto obsceno para ela, durante a discussão. “Grande parte deste desrespeito ocorreu porque sou mulher. Me mandaram calar a boca. Um deles me disse que tenho uma boca muito bonita e que deveria usá-la para outra coisa”.

 

Segundo o relato da repórter, o funcionário da Certub colocou o dedo próximo ao seu rosto. “Eu disse para ele tirar o dedo do meu rosto e tirei o dedo dele. Foi quando ele segurou meu braço muito firme”.

 

Neste momento, usuários do terminal começaram a intervir para cessar a discussão e questionaram se o funcionário iria “bater em mulher”, segundo Suelen.

 

“Ele falou que estávamos ali para atrapalhar e disse que ia lembrar do meu nome na rua. Aí pegamos nossas coisas e fomos embora”

 

 

A repórter registrou boletim de ocorrência por ameaça na 2a Delegacia Regional de Vila Velha.

 

 

Rede Vitória

 

Agindo totalmente contra os preceitos jornalísticos, a emissora censurou o grave fato sem sequer noticiar em seus veículos de comunicação contribuindo assim para que casos como esses se repitam.

 

Procurado, o superintendente de Conteúdo da Rede Vitória, Alexandre Carvalho, afirmou que “o jornalismo da Rede Vitória não admite este tipo de comportamento, esse tipo de desrespeito com os profissionais da rede”. Informou ainda que analisa quais as providências a empresa irá adotar em relação ao caso.

 

Ceturb

 

Por meio de nota, a Ceturb informou que “respeita e valoriza o trabalho realizado pela imprensa e lamenta o ocorrido no Terminal Vila Velha.”.

 

Porém,  apesar de ser um local público, a Ceturb reafirmou o cerceamento a liberdade de imprensa ao exigir “autorização prévia da empresa, que precisa de tempo hábil para a levar a liberação ao conhecimento dos empregados lotados nos terminais”.

 

E mesmo o caso revelando a falta de preparo dos contratados pela Ceturb, a empresa diz que “há uma boa parceria com a imprensa, mas há regras que precisam ser cumpridas”, diz a nota.

 

Por fim, a Ceturb-ES informou que vai apurar o fato para que as medidas cabíveis sejam adotadas.

 

O Sindicato dos Jornalistas reitera que considera um absurdo o governo do Estado proibir que sejam feitas imagens e reportagens em locais públicos.

 

O entendimento do Sindicato é que a proibição afronta inclusive aos princípios jornalísticos e constitucionais. Em plena era de defesa da transparência e do avanço da Lei de Acesso à Informação, restringir a imprensa à locais públicos é um enorme retrocesso e revela uma censura prévia. Não tem porquê impedir o acesso da Imprensa ao local totalmente público. É preciso que isso seja revisto.

 

Diante ao fato, o Sindicato tomara as medidas cabíveis para resguardar a atuação da imprensa no Estado.