Espírito Santo cria a oitava Cojira do Brasil

Num momento histórico para a categoria dos jornalistas capixabas, na última quinta-feira (04), no auditório do Arquivo Público do Espírito Santo, foi criada e empossada a 1ª Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial e de Gênero (Cojira-ES).

Como enfatizou a palestrante do evento, a jornalista Angélica Basthi, coordenadora do Prêmio Jornalista Abdias Nascimento, em 2011 e 2012, e membro da Cojira-RJ, ao falar sobre o tema “O jornalista como protagonista da defesa de ações afirmativas”, a imprensa tem a finalidade de criar mecanismos que sensibilizem a sociedade a enxergar como cidadão o negro, a negra, o povo indígena e a mulheres – que são maioria da população brasileira, mas ainda tratadas como pessoas de segunda categoria.

“Infelizmente, a nossa mídia ainda reproduz todos os estigmas e estereótipos existentes no país, pois tem a visão eurocêntrica, que insistentemente são recorrentes na construção de narrativas racistas”, relata Angélica. Ela prossegue dizendo que a mídia reforça os estereótipos ao divulgar informações sem contextualização. Por exemplo: ao colocar o Brasil como a pátria da bunda da mulata e ao divulgar nas matérias moradores das comunidades negra e LGBT somente em casos de desespero e violência ou glamourizados durante o carnaval.

No final do encontro ficou claro que o jornalista deve atuar como protagonista na defesa das ações afirmativas mas, antes disso, tem de vencer os estereótipos ao incluir esta população no seu dia a dia jornalístico com abordagens das diferentes experiências de desigualdades a partir de dados estatísticos, situações e experiências, contribuindo de forma proporcional nas suas coberturas para um equilíbrio  de gênero, raça e etnias.