EXCLUSIVO: A Tribuna perde direito de publicar Elio Gaspari

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Em entrevista exclusiva ao Sindijornalistas/ES, colunista disse: "os motivos me parecem óbvios".

O colunista Elio Gaspari disse que ficou sabendo pelo jornal Folha de São Paulo, na segunda-feira, dia 08/03, que sua coluna não havia sido publicada no jornal A Tribuna de domingo. Assim que confirmou a informação com a agência O Globo, responsável pela comercialização da coluna, retirou os direitos de A Tribuna publicar seus textos. Quando questionado sobre os motivos da não inserção da coluna no jornal, Elio respondeu "os motivos me parecem óbvios". Elio Gaspari publicava às quartas-feiras e aos domingos no jornal.

Leia o texto da coluna Elio Gaspari, que não foi publicado no jornal A Tribuna, no domingo, 07/03.

Folha de São Paulo 07.03.2010

ELIO GASPARI

As masmorras de Hartung aparecerão na ONU

O economista bem educado governa no ES um sistema prisional que envergonharia o soba do Uzbequistão

Na próxima segunda-feira, dia 15, o governador Paulo Hartung (PMDB-ES) tem um encontro marcado com o infortúnio. Depois de anos de negaças, o caso das "masmorras capixabas" será discutido em Genebra, num painel paralelo à reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Hartung tem 52 anos, um diploma de economista e a biografia de um novo tipo de político. Esteve entre os reorganizadores do movimento estudantil no ocaso da ditadura. Filiou-se ao PSDB, ocupou uma diretoria do BNDES, elegeu-se deputado estadual, federal, e senador.

Na reunião de Genebra estará disponível um "dossiê sobre a situação prisional do Espírito Santo". Tem umas 30 páginas e oito fotografias que ficarão cravadas na história da administração de Hartung. Elas mostram os corpos esquartejados de três presos. Um, numa lata. Outro em caixas e uma cabeça dentro de um saco de plástico. Todos esses crimes ocorreram durante sua administração. Desde a denúncia da fervura de presos no Uzbequistão o mundo não vê coisa parecida.

As "masmorras capixabas" são antigas, mas a denúncia teve que ser levada à ONU porque as organizações de defesa dos direitos humanos não conseguem providências do governo do Espírito Santo, nem do comissariado de eventos de Nosso Guia. Sérgio Salomão Checaira, presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, demitiu-se em agosto do ano passado porque não teve apoio do Ministério da Justiça para reverter o quadro das prisões de Hartung.
Há um mês, uma comitiva que visitava o presídio feminino de Tucum (630 presas numa instituição onde há 150 vagas) foi convidada a deixar o prédio. Se quisessem, poderiam conversar com as prisioneiras pelas janelas.

O Espírito Santo tem 7.000 presos espalhados em 26 cadeias, com uma superlotação de 1.800 pessoas. Há detentos guardados em contêineres sem banheiro (equipamento apelidado de "micro-ondas"). Celas projetadas para 36 presos são ocupadas por 235 desgraçados. Alguns deles ficam algemados pelos pés em salas e corredores.

Os governantes tendem a achar que os problemas vêm de seus antecessores, que as soluções demoram e que, em certos casos, não há o que fazer. Esquecem-se que têm biografias.

O relatório com fotos dos esquartejados está no seguinte endereço: http://www.estadao. com.br/especiais /2009/11/crimesnobra sil_if_es.pdf