Grampo na Rede Gazeta: cinco anos de impunidade

Em 2005, o número do telefone central da Rede Gazeta de Comunicação, usado na apuração das pautas pelos jornalistas, foi grampeado. Todas as conversas foram gravadas por um instrumento ILEGAL de escuta telefônica, conhecido como guardião, utilizado pelo Governo do Estado. Na ocasião o secretário de Estado da Segurança Pública, Rodney Miranda, alegou que o número da Rede Gazeta foi confundido com o de uma empresa investigada no processo de apuração do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, assassinado em 24 de março de 2003.

Cinco anos depois, o processo sobre o caso do grampo está em segredo de justiça. “O sindicato pediu ao Ministério Público Federal que aceitasse a possibilidade de cassação da Vivo. Também pedimos um inquérito civil público para indenizar os jornalistas por danos coletivos. Esse inquérito virou uma ação contra a Vivo e o Governo do Estado do Espírito Santo e está em segredo de justiça”, explica o advogado do Sindijornalistas André Moreira.  
O Sindijornalistas não quer que esse desrespeito à democracia caia no esquecimento. “Vamos lutar sempre para que haja punição. O grampo foi um atentado à nossa profissão. O sigilo das fontes é previsto no nosso código de ética e, também, na Constituição Federal, que assegura a todos o acesso à informação, resguardando o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional”, diz a presidente do Sindijornalistas Suzana Tatagiba.
Para "comemorar" a data e discutir as diversas formas de censuras existentes e a proposta de criação do Conselho Estadual de Comunicação, o Sindijornalistas/ES realizará na próxima sexta-feira (17), às 19h, no Mercado São Sebastião, em Vitória o evento "Querem nos censurar? Grampos, Conselhos e Liberdade de Imprensa", com participação de várias autoridades e jornalistas convidados.

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