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Jornalismo e sindicalismo como escolas de vida

Por Suzana Tatagiba*

Lá se vão mais de 40 anos dedicados ao jornalismo. Tudo começa aos 21 anos de idade, como repórter da TV Gazeta onde passei boa parte da minha juventude. Um total de 15 anos de trabalho. Nesse meio tempo também iniciei  minha vida sindical como militante e dirigente no Sindijornalistas/ES, na FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e, também, na CUT (Central Única dos Trabalhadores.

Sabendo, claro, que havia vida fora de uma redação fui conhecer outros segmentos do jornalismo. Passei por assessorias de sindicatos de trabalhadores, assessoria política e fui professora de jornalismo e de Publicidade e Propaganda na Universidade de Vila Velha (UVV) e na Estácio de Sá. Aposentei, mas não parei. Nunca! Jornalista não pára nunca de trabalhar.

Sou militante sindical desde o início da década de 1980 e entendo que aqui no Espírito Santo há duas ações emblemáticas dos jornalistas capixabas. Na  Rede Gazeta onde, além de repórter eu era delegada sindical, fizemos uma greve de apoio à uma das greves gerais da CUT, no ano de 1983. Depois de deliberarmos pela adesão à greve em uma assembleia lotada, realizada até tarde da noite, no auditório da secretaria Estadual da Agricultura, na Avenida Beira Mar, seguimos até a sede do jornal A Tribuna onde os  jornalistas trancaram a porta do jornal. 

Era uma turma de jornalistas muito consciente e aguerrida e que, após uma decisão coletiva, paralisava suas atividades e não tinha esse papo de fura greve não!

 Saindo de A Tribuna nos dirigimos para a Rede Gazeta, em Bento Ferreira e, já no caminho, fui aprendendo com meu saudoso amigo Jesus Miguez,  a fazer  “miguelitos,” uma velha tática dos movimentos e que a gente queria usar  para impedir a chegada da tropa de choque à TV Gazeta e que havia sido chamada pela empresa. Enfim, foi uma noite de piquetes, algumas confusões com chefias problemáticas, risadas e bate papos até mesmo com a polícia militar.

A greve durou todo o dia seguinte com fortes piquetes, ameaças de fura-greves e embates com a polícia mas sem agressões físicas. Minha mãe, funcionária da Vale do Rio Doce, era formada em Direito e tinha deixado prontos alguns pedidos de habeas corpus guardados em casa – pois, na época, não existia computador e muito menos internet – para me tirar da cadeia caso fosse presa. Meu pai, também preocupado, como sempre, dava seu apoio calado e sem propagação. No fim do dia de greve foi impressa uma edição do  jornal A Gazeta bem minguada, com poucas páginas, e, na TV, os jornais não foram ao ar pois a principal apresentadora, Maura Miranda, estava participando da paralisação. Bom, essa foi a primeira e única greve da Rede Gazeta.

Ainda na década de 1980,  a direção do Jornal A Tribuna, descumpre um Acordo Coletivo feito com o Sindicato dos Jornalistas e a  redação inicia uma extensa greve que culmina com o fechamento do jornal em março de 1983 e reaberto, anos depois, então integrando a Rede Tribuna de Comunicações.

A greve, com piquetes diários nas calçadas, foi muito  marcante e recebeu visita de dezenas de sindicalistas locais e nacionais, dentre os quais,  o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Ignácio Lula da Silva, e registra a histórica greve de fome dos jornalistas Romero Mendonça e Chico Flores.

Seguindo na vida profissional e sindical, no início da década de 1990,  após mandato da presidente  Fátima Côgo, disputei uma prévia junto à categoria com o querido colega Rossini Amaral, saí vitoriosa e fui eleita presidente do Sindijornalistas/ES. Comecei minha militância sindical junto com velhos companheiros do jornalismo como Rogério Medeiros, Tinoco dos Anjos, Jô Amado, dentre muitos e muitas jornalistas que participavam intensamente da construção e consolidação do Sindicato e das lutas da categoria.

Durante algum tempo, os jornalistas capixabas puderam contar com o trabalho da Cooperativa dos Jornalistas do Espírito Santos, que também funcionou no Edifício Bidu, na qual atuei como diretora e presidente, e onde trabalhei com  Moisés Ramalho e Luiz Vital que  estavam começando no jornalismo.

Ainda na década de 1980,  Tinoco dos Anjos, ex-presidente  do Sindijornalistas/ES conseguiu que a AEI ( Associação Espírito Santense de Imprensa) nos alugasse duas salas  no 3º andar do Edifício Aldebaram, no Centro, onde o Sindicato funcionou durante anos. Depois,  fomos mudando  de endereço até conseguirmos comprar nossa sede, também no centro de Vitória.

Na direção do Sindicato estou trabalhando, de forma voluntária, há mais de 40 anos. São cinco mandatos como presidente e outros como diretora, além de dois mandatos como tesoureira e  em outros cargos da FENAJ.

É cansativo? Muito! O sindicalismo demanda trabalhos diários dos dirigentes, e no caso do nosso sindicato, além de voluntárias, nossas ações são simultâneas à nossa vida profissional e pessoal. Não há diretores liberados e quem está na linha de frente nunca está integralmente de férias. Há sempre algo a resolver.

Se me arrependo? De jeito nenhum! Aprendi e aprendo todo dia que a vida é coletiva. A participação feminina é fundamental na existência e na inserção social do Sindijornalistas/ES. Nós, mulheres, sempre participamos das diretorias e da permanente luta do Sindicato em defesa do Jornalismo e da Democracia em nosso país.

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Coordenadora geral do Sindijornalistas/ES