Jornalistas protestam contra Ditadura Militar

Jornalistas de todo o Espírito Santo desde a última sexta-feira, 29 de março, estão usando camisas pretas com a frase: “Pai, afasta de mim este ‘cale-se'”. Ilustração que também tem sido colocada nos perfis de suas redes sociais.

O protesto foi organizado  pelos próprios profissionais que criaram a arte e produziram as camisas.

O Sindicato apoia e valoriza a iniciativa que reforça a posição da Fenaj e de todos os demais sindicatos dos jornalistas do país de reafirmar a luta irrestrita pela garantia da liberdade de imprensa e democracia e contrários à tortura, ditadura e autoritarismo.
Nacionalmente, na última sexta-feira, reunidos no auditório Vladimir Herzog, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, jornalistas de todo país realizaram um ato contrários às comemorações ao golpe de 1964 em que, entre os assassinados estiveram vários jornalistas como Herzog dentre outros perseguidos.

A ação dos jornalistas capixabas é  uma resposta ética e condizente com o papel dos profissionais, que é sempre buscar e mostrar a verdade dos fatos. É uma manifestação contra a iniciativa do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que pediu que os 55 anos do Golpe Militar de 1964 fossem comemorados nos quartéis do Exército brasileiro.

A ditadura militar foi o período mais sombrio da história recente do Brasil, em que direitos políticos e civis foram cassados, crianças, mulheres (inclusive grávidas) e homens foram torturados. Sem esquecer de contar os centenas de assassinados pelo regime e famílias que nunca puderam enterrar os corpos de seus entes queridos.
A iniciativa vergonhosa do presidente do Brasil merece total repúdio, uma vez que tenta distorcer fatos historicamente documentados, comprovados, e que ainda hoje trazem muita dor no seio de inúmeras famílias brasileiras, como se fossem algo positivo, a ser comemorado.
Protesto

Os profissionais estão usando suas redes sociais para ampliar a mobilização contra a comemoração do Golpe de 64. Sozinhos, ou em grupo, publicam fotos com mensagens contra a ditadura e a censura, de que tantos jornalistas foram vítimas. Eles usam a hashtag #ditaduranuncamais

A jornalista Katilaine Chagas Garcia oberva que alguns valores como dignidade e respeito estão acima qualquer profissão e de eventuais concorrências entre empresas.

“É inconcebível que em pleno século XXI parte do Brasil, estimulado pela sua maior liderança, tente apagar um dos momentos mais sombrios e tristes de sua História e colocar no lugar uma narrativa positiva. Nesse momento, é urgente que nós jornalistas marquemos posição. É parte da nossa função social expor a tentativa mau caráter de amenizar o que representou a ditadura militar para o nosso país.”

Arte criada pelo ilustrador e design Amauri Ploteixa. Convidamos os demais jornalistas e toda sociedade para durante toda essa semana usar a imagem em suas redes sociais e seus perfis.

A ilustração usada na camisa traz a imagem de dois rostos de perfil, que formam um cálice. É uma referência à música “Cálice” dos compositores Chico Buarque de Holanda e Gilberto Gil, de 1973. Censurada pela ditadura militar, foi liberada somente em 1978.

Com a referência: “Pai, afasta de mim este ‘cale-se'”, os jornalistas também lembram a censura dos anos de chumbo. E o desejo legítimo de que jamais retorne.

Mortos

Entre os jornalistas assassinados pela ditadura estão Vladmir Herzog, que teve um suicídio forjado. O capixaba de Santa Teresa, Orlando Bonfim Júnior.

Além de jornalistas, entre os desaparecidos políticos estão o estudante, também de Santa Teresa, José Maurílio Patrício, assassinado na Guerrilha do Araguaia.