Os limites do Google

Estamos diante de um gigante que agrega novos serviços. Mas é necessário que haja mais transparência

Caso alguém afirmasse, há 20 anos, que um buscador de endereços e de conteúdo na web seria a marca mais valiosa do mundo e uma das maiores empresas da Terra, creio que nem a pessoa mais otimista apostaria nisso. Segundo a consultoria Brand Finance, no seu relatório de 2017, o Google vale U$S 109,4 bilhões, desbancando, após cinco anos, a liderança da Apple. Para outras consultorias internacionais, o valor da marca da empresa pode chegar a valer até um pouco mais. Não importa. O que realmente importa é que sua liderança é algo indiscutível, independentemente da sua fonte.

Pois bem, o Google acaba de realizar em Nova York o Google Partner Summit. Evento que premiou seus parceiros com melhor desempenho por suas contribuições para marketing digital, inovação de produtos e crescimento de seus clientes. Apesar de sua complexidade e atenção aos detalhes, o Google tem um modelo de negócios relativamente simples. Venda de links patrocinados e outros formatos de publicidade de menor volume, mas com maior valor agregado. Dessa forma, com o passar do tempo, se tornou o maior monopólio de geração de conteúdo e conhecimento na internet. Distribui gratuitamente informações para milhões de pessoas, cujas referências são classificadas e segmentadas o tempo todo.

Estamos diante de um gigante que, a cada dia, agrega novos serviços. É bem verdade que muitos deles facilitam nossas vidas, mas também é necessário que haja mais transparência na relação com os seus stakeholders. Explico: o Google garante que não é um veículo de comunicação, e sim uma empresa de tecnologia. Entretanto, 90% do seu faturamento é resultado da veiculação da venda de publicidade e sem a intermediação das agências de propaganda. É a maior captadora em volume de anúncios do mundo.

Outras situações podem ser evidenciadas, com a Alphabet, controladora do Google, que não divulga os seus números no Brasil. Não é transparente no uso das informações reunidas, tanto para privacidade como para os direitos autorais. A gratuidade do conteúdo na rede, com a “degustação digital”, atrapalha os geradores de conteúdo, principalmente os jornais e portais de notícias, que gastam para produzir material jornalístico. Para manter-se no topo, o Google além de continuar como uma empresa de DNA inovador terá que deixar clara a sua relação com as pessoas.

Por Fernando Manhães, publicitário e professor do curso de Comunicação Social da Ufes

A Gazeta 07 de outubro