Perda salarial dos jornalistas até 2023 pode ser de mais 14,08%

Além dos 19,21% (maio/19 a abril/22, descontados os 4% concedidos em 2021) de perda salarial já acumulados, se considerarmos a média mensal do INPC apurado no primeiro quadrimestre deste ano, que ficou em torno de 1,10%, podemos esperar uma inflação acumulada, de maio 2022 até abril de 2023, de aproximadamente 14,08%.

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Isso significa que, se não tivermos um reajuste que reponha de imediato e integralmente a inflação passada, teremos muito mais problemas para recompor o nosso poder compra no próximo período, considerando que a inflação está se acelerando ainda mais este ano.

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Como sabemos, na última reunião, o sindicato patronal apresentou duas propostas de reajustamento salarial para esta data-base. Na primeira, o patronato apresenta um reajuste de 6%, que corresponde apenas ao que ficou para trás na convenção coletiva do ano passado. Para quem até hoje não recebe auxílio alimentação, o patronato acena com um ticket de R$ 220,00, que passaria a ser recebido somente a partir do mês subsequente ao fechamento das negociações.

 

Façamos, então, mais uma simulação, agora pensando nos próximos doze meses, se aceitarmos essa proposta patronal. Para cada profissional que ganhou próximo de R$ 3.744,00, no último mês de abril, as perdas acumuladas mês a mês até o próximo abril pode significar mais de R$ 8.700,00 e, da mesma forma, quem tem salário próximo do piso pode deixar de embolsar mais de R$ 5.280,00, até abril de 2023, se não tivermos o reajuste de 19,21%, integralmente, de imediato e retroativo ao último mês de maio. Dependendo do mês em que iniciar a distribuição do auxílio alimentação, que não é salário, esse prejuízo pode ser abatido. Por exemplo, se começar no próximo mês, abateria R$ 2.200,00, se começar em agosto, R$ 1.980,00, e assim por diante.

 

 

 

 

 

 

A outra proposta patronal seria um escalonamento do reajuste: 6% retroativo a maio, 2% em novembro/22 e mais 2% somente em fevereiro/23, nas vésperas da próxima data-base. Nesta proposta, não haveria distribuição de auxílio alimentação. A simulação das perdas mensais de acordo com a segunda proposta, de parcelamento de um reajuste rebaixado, em três etapas, segue nas próximas tabelas.

 

 

 

 

 

 

O pior de tudo é que, de forma inusitada, o sindicato patronal deixa aberta a possibilidade de cada empresa optar, de acordo com seu interesse, entre as duas propostas, ou seja, segundo a perspectiva patronal, assinaríamos uma convenção coletiva sem ter garantida qual das duas propostas seria implantada efetivamente.

Com a colaboração de Hélder Gomes, economista e consultor do Sindijornalistas/ES

Edição de Fernanda Coutinho, coordenadora de Negociação Salarial e Mercado de Trabalho do Sindijornalistas/ES 

Foto de Karolina Grabowska/ Pexels