Rede Tribuna não confirma pagamento da quinzena de abril

A Rede Tribuna não depositou, até as 15h30 desta terça-feira (16/4), a quinzena dos funcionários que, conforme habitualidade, é paga todo dia 15 de cada mês. Já prevendo esta possibilidade de atraso, o Sindijornalistas encaminhou ofício à empresa na última quinta-feira (11/4) solicitando um posicionamento e previsão do pagamento.

A diretora de RH da empresa, Angela Soares ligou para o diretor Julio Paternostro e reafirmou complicações financeiras com a empresa que, com isso, não poderia garantir se conseguiria honrar o pagamento. Segundo a diretora, o pagamento seria realizado, caso a empresa tivesse caixa para o mesmo. E que em caso de não ter dinheiro suficiente, os profissionais da emissora com menores salários receberiam primeiro.

Nesta segunda-feira, visto que mais de 50 jornalistas nos relataram o não recebimento, nosso coordenador geral, Douglas Dantas também cobrou da empresa uma resposta, e em ligação telefônica Dona Angela respondeu que “por enquanto sim [sem nenhuma previsão de pagamento]. Assim que vislumbrar qualquer coisa você é a primeira pessoa ‘a ligar'(sic)”.

No último mês de março, o pagamento da quinzena foi realizado com até oito dias de atraso, após a diretoria do Sindicato dos Jornalistas passar uma semana cobrando um posicionamento. E se foi realizado após a publicação nas redes sociais de postagem sobre o atraso.

Demissões

Nas últimas semanas, cerca de 15 profissionais, sendo 10 que atuavam na redação do jornal impresso A Tribuna, entre fotógrafo, diagramador, repórteres e redator foram demitidos e estão sendo informados que a empresa nem sequer irá cumprir o dever legal de pagar na integralidade as verbas rescisórias. As demissões atingiram até mesmo profissionais com doenças graves.

Disputa de herdeiros

A situação do Grupo João Santos, que controla entre outras empresas a Rede Tribuna (Nassau Editora Rádio e Televisão LTDA) se agravou com o falecimento de seu principal acionista. Após isso, os herdeiros não conseguem chegar em acordo quanto a administração da empresa.

Mesmo com dívidas trabalhistas e constantes atrasos nos salários, conforme reportagem do jornal Valor Econômico, de 14 de setembro de 2018, parte dos herdeiros denunciou inclusive à Polícia Federal que dois dos principais acionistas teriam retirado milhões das contas da empresa para suas contas pessoais.

“Falecido em 2009, com quase 102 anos, o patriarca João Santos teve seis filhos, dos quais quatro estão vivos. Pouco antes de morrer, o empresário, que deixou ainda 15 netos, fez um arranjo em que a condução dos negócios da família ficou exclusivamente nas mãos de Fernando e José, hoje com 71 e 80 anos, respectivamente”, diz trecho da reportagem.

O texto diz ainda que “(…) eles teriam estabelecido para si salários de mais de R$ 20 milhões anuais cada um, enquanto suspenderam a ‘remuneração a título de conselho consultivo’ dada às irmãs, espécie de ‘mesada’ estabelecida porque a empresa não estava obtendo lucro para distribuir dividendos”.

Processos

O Sindijornalistas possui dois processos na Justiça. Um já transitado em julgado quanto a pagamento de horas-extras que durante anos a empresa se negou a pagar para os jornalistas que as realizavam. Já está em fase final de cálculos para execução.

Também tramita na Justiça outra ação para devida responsabilização da empresa diante aos constantes atrasos salariais, bem como parcelamento de verbas rescisórias e outras irregularidades trabalhistas.

O Sindijornalistas lamenta a situação em que se encontra um dos principais grupos de comunicação do Estado e se solidariza, adotando todas as medidas cabíveis, com os profissionais que mesmo com o descumprimento das obrigações por parte da empresa, continuam a atuar para levar informação à sociedade.

[ Informamos que às 17h13 o coordenador geral do Sindijornalistas, Douglas Dantas, recebeu uma ligação da diretora da Nassau Editora Rádio e TV LTDA, Ângela Soares, comunicando que havia realizado o pagamento aos jornalistas. ]