Seminário Debate o Jornalismo de Risco no Brasil

A presidente do Sindijornalistas Suzana Tatagiba e o diretor de Mercado de Trabalho, Júlio Pater, participaram nos dia 31 de maio e primeiro de junho, do Seminário Jornalismo de Risco no Brasil: Tim Lopes, 10 anos depois, realizado na Escola Superior de Propaganda e Marketing, no Centro do Rio de Janeiro.

Após uma década de morte do produtor do Fantástico, da Rede Globo, Tim Lopes, no dia dois de junho de 2012, na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, zona Norte do município, jornalistas cariocas, alunos de jornalismo e profissionais de outros estados passaram dois dias discutindo por que corremos tantos riscos para fazer o nosso trabalho, que é o de reportar os fatos à população.

Convidados de outros estados e até de outros países, como o jornalista paraguaio Candido Figueredo, que atua na cidade fronteiriça Pedro Juan Caballero, conhecida por ser palco de vários casos de assassinatos pelo narcotráfico, contaram suas experiências de conviver diariamente com ameaças à liberdade de imprensa.  Candido chefia o escritório do jornal paraguaio ABC Color e já sofreu mais de uma dezena de ameaças.

Os temas do seminário, debatidos por jornalistas de texto e de imagem, enfocaram os diferentes tipos de riscos, com diversos questionamentos, por exemplo, por que morrem os jornalistas no Brasil? – são por questões éticas, falta de treinamento, pressão das empresas? Também as estratégias usadas para difamar ou ameaçar os jornalistas foram abordadas. Como ainda a Autocensura (outra forma de violência) e a impunidade dos crimes contra os profissionais.

Num segundo momento, o encontro discutiu: O quem podem/devem fazer as empresas para prevenir os riscos das equipes? Participaram a presidente do Sindicato dos Jornalistas do município de Rio de Janeiro, Suzana Blass, o representante da Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos (ABRAJI) e do International News Safety Institute (INSI), jornalista Marcelo Moreira, e Ricardo Trotti, representante da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Para o INSI, o Brasil é o oitavo país mais perigoso para jornalistas. O Instituto internacional contabiliza cinco mortes de jornalistas em 2011 e quatro só este ano.

No painel, os convidados, em resumo, chegaram à conclusão que o que falta no Brasil é o estabelecimento de uma cultura da segurança. Ou seja, o jornalista tem de conhecer os riscos que corre nas regiões de conflito, se preparar para eles e utilizar os necessários equipamentos de segurança. Isso tem de ser feito em comum acordo com o patronato, segmento mais refratário a reconhecer esta situação de risco e a difundir a cultura da segurança nas redações brasileiras. Além disso, as empresas de comunicação têm de disponibilizar as medidas de proteção, como coletes à prova de bala de várias espessuras, carros blindados e capacetes.

Para os profissionais presentes, estas medidas vão desde a autonomia do jornalista – seja de imagem ou de texto- de analisar se existe segurança para o profissional prosseguir na cobertura à necessidade de uso de todos os equipamentos de proteção.
Isso já vem sendo debatido nas convenções coletivas do Sindicato dos Jornalistas do município do Rio de Janeiro, mas ainda carece de atendimento por parte do patronato.

Cultura da Segurança

Um dos pontos altos desta chamada “Cultura da Segurança”, são os cursos de Segurança para Jornalista, realizados pelos INSI. No Brasil, já foram realizados dois treinamentos para jornalistas. Em 2012, acontecerá um novo treinamento no Rio de Janeiro. O Espírito Santo espera que seus profissionais também possam integrar essa equipe.

Muitos jornalistas, principalmente os que trabalham com imagens – repórteres fotográficos e cinematográficos – deixaram claro na última mesa de debate “Quais os limites para uma boa imagem?” , realizada no segundo dia do seminário, que este treinamento possibilitou a todos o entendimento de que as noções de segurança são imprescindíveis, pois “nenhuma imagem vale uma vida”, ressaltou bem o repórter cinematográfico, Daniel Andrade, da Globonews.

“Nenhuma foto, nenhum prêmio, vale uma vida”, afirmou o mediador da mesa, o repórter fotográfico, Antonio Scorza. Ele acrescentou, ainda, que “o papel do jornalista é reportar, e não atacar e defender. Este é um papel da polícia. O jornalista não é polícia”.

Por fim, o fotógrafo de O Globo, Domingos Peixoto, finalizou o debate reafirmando que os jornalistas têm de ter a noção de perigo e reportar à redação que, naquele momento, não há segurança para se fazer a matéria. “E os chefes na redação têm de entender que o profissional que está na rua é quem tem autonomia para avaliar se vale a pena ou não cobrir o fato naquela oportunidade”, enfatizou Domingos.