Seminário definirá estratégia da Campanha Salarial 2008

No dia 05 de abril, a diretoria do Sindijornalistas se reúne para discutir e traçar as ações que vão buscar melhores salários e condições de trabalho para a categoria

De quanto foi o lucro das empresas de comunicação do ES em 2007? Esse será um dos assuntos a serem discutidos no seminário da Campanha Salarial que os jornalistas farão, a partir das 14 horas, no sábado, dia 05 de abril na sede do Sindijornalistas.

Conforme já adiantamos na edição nº 27 do Extra, a campanha Salarial dos jornalistas profissionais do ES  este ano pretende mais do que elevar o piso salarial da categoria. Vai buscar aumento real de salários e participação nos lucros e resultados. A Fenaj reuniu num documento dezenas de reivindicações feitas pelos jornalistas em todos os demais sindicatos do Brasil. E novas reivindicações serão encaminhadas aos donos das emissoras capixabas.

Sem você, tudo fica como está!
Fique atento para a assembléia que será convocada. Você deve participar, pois os patrões mandam olheiros para ver o nível de participação dos jornalistas. Se tiver pouca gente, eles vão para a mesa de negociações com aquelas propostas indecentes. O Sindicato sozinho não conquista nada. A sua presença é que dá força na negociação. Faça um esforço e apareça. Junte os colegas e vá à assembléia!

Feijoada
O Sindicato também fará o lançamento da Campanha Salarial 2008 com uma saborosa feijoada. Como aconteceu no ano passado, queremos que a categoria participe e se aproxime do Sindijornalistas. Ainda estamos confirmando o local e a data.

Sem exploração e desrespeito
Quando um veículo de comunicação decide publicar uma matéria leva em conta dois fatores principais: o poder e o lucro. O que ele vai ganhar em influência na conjuntura e em dinheiro na conta. A informação, como bem público, há muito deixou de ser o centro da ação midiática.

E os jornalistas estão nesse bojo, só que não levam nada. São mais explorados e desrespeitados em seus direitos trabalhistas. Um dos exemplos que temos é a Rede Tribuna, que reconhece perante um procurador do Ministério Público do Trabalho que não paga todas as horas extras feitas pelos profissionais. Age deliberadamente como se estivesse acima da lei, sem medo das penalidades que possa vir a sofrer.

O oligopólio da comunicação mudou o perfil do jornalista brasileiro. Fez de nós pouco mais do que escravos, submetidos a jornadas de trabalho exaustivas, salários rebaixados, "bancos de horas", contratos precários, desrespeito aos direitos autorais. Pior: embora trabalhadores intelectuais, somos proibidos, cada vez mais, de pensar por conta própria, de sermos sujeitos conscientes e livres para produzir e editar nossas pautas, textos, imagens.

Lucro da Globo
Lauro Jardim [colunista do Radar On Line -Veja] postou no dia 25/03 em seu blog, o resultado financeiro oficial da Rede Globo em 2007. “Em resumo, o faturamento subiu 7% (passou de 6,25 milhões de reais em 2006 para 6,66 milhões de reais) e caíram o endividamento (de 1,5 bilhão de reais em 2006 para 1,2 bilhão de reais) e o lucro (de 582 milhões de reais para 574 milhões de reais)”.

Mas essa quedinha nos lucros não demonstra perdas. Tá mais para o enfretamento da concorrência com a Rede Record. Ao contrário dos salários dos trabalhadores. O grupo Globo, líder do setor, tornou-se em 2005 a empresa brasileira com maior margem líquida de lucro: 92%! Isso quer dizer que, de cada 100 reais que a Globo recebe, tem lucro de 92 reais! Também em 2005, a Globo obteve o quinto maior lucro líquido entre todas as empresas brasileiras (superada apenas por Petrobras, CVRD, Usiminas e Telefônica): R$ 1,99 bilhão (Valor – nº1000, edição agosto de 2006, p. 42 e 40).

E a Record?
Segundo a Folha de são Paulo, a Universal é a maior proprietária de concessões de TV do país: são 23 emissoras de TV e 40 emissoras de rádio registradas em nome de pastores. A Universal arrenda 36 rádios, que integram a Rede Aleluia.

Segundo pesquisa feita pelo jornal, Edir Macedo é dono de 99% das ações da TV Capital, geradora da Rede Record em Brasília; de 50% da TV Sociedade, de Belo Horizonte; de 48% da TV Record do Rio; e de 30% da Record de São José do Rio Preto (SP). E o valor atual estimado da Rede Record é de R$ 2 bilhões.

E os lucros destas emissoras devem-se, entre outros motivos, ao arrocho salarial imposto aos jornalistas e demais trabalhadores do setor. No ano passado, a Rede Gazeta queria fixar o piso salarial em 700 reais. As empresas aproveitam-se do enorme desemprego da nossa categoria, para aviltar o mercado de trabalho. Terceirizam, valem-se de estagiários como mão-de-obra barata ou mesmo gratuita, afrontam a regulamentação profissional.

No setor público nossa situação não é melhor. Nossos "patrões" nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em todas as esferas, insistem em desconhecer nossa jornada legal. Veja o que está acontecendo na RTV-ES.

E o que fazem os nossos colegas jornalistas?
Acham que sozinhos vão vencer. Enganam-se diariamente, embevecidos de um status, uma importância ilusória que não chega aos bolsos. Deviam seguir os exemplos dos trabalhadores da limpeza urbana, que sabem da importância que têm para a sociedade, para desespero dos patrões. Dois dias sem recolher o lixo e a cidade fica imprestável. E como seria um dia sem o “jornalão” A Gazeta?

O Sindijornalistas aposta na organização da categoria como instrumento de resistência e de luta contra os patrões, ao invés das facilidades dos conchavos e "negociações de cavalheiros". Queremos mais e vamos conquistar. Só depende da nossa união.

Consulta aos sites:
http://liberdadedigital.com.br/2008/03/25/os-lucros-da-rede-globo/

http://www.recife.pe.gov.br/2008/03/17/mat_161259.php 

http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=803

http://alertatotal.blogspot.com/2008/02/condenao-milionria-de-marcos-valrio-no.html