Sindicato repudia fala do deputado Torino Marques e se afasta de Comissão

Entidade não vai mais participar de reuniões da Comissão de Comunicação presidida pelo parlamentar na Assembleia 

Por: Diretoria do Sindijornalistas/ES

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Espírito Santo (Sindijornalistas/ES) repudia a fala do deputado estadual Torino Marques (PSL) que, no plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, relativizou os ataques machistas e misóginos do presidente Jair Bolsonaro à jornalista Patrícia Campos Mello da Folha de São Paulo.

A partir das declarações do parlamentar, a direção do sindicato entende que não há como discutir a pauta da Comunicação junto à Comissão de Comunicação e Cultura da Casa de Leis, presidida pelo deputado, que descontextualizou as ofensas inadmissíveis do presidente.

 

No entendimento do Sindijornalistas, a fala do parlamentar minimiza a gravidade do ataque de cunho sexual sofrido pela jornalista e relativiza a postura de Bolsonaro em sua relação com a imprensa, que não condiz com a de um chefe de Estado.

 

“A respeito da falta de respeito, da jornalista que foi lá desrespeitada, segundo alguns colegas de imprensa” inicia Torino em sua fala, citando exemplos de declarações atribuídas ao ator José de Abreu sobre a atriz Regina Duarte, secretária de Cultura do governo Bolsonaro, e da ministra Damares Alves, que foi alvo de críticas ao dizer que subiu em um pé de Goiaba e teria visto Jesus.

 

“Então, a falta de respeito parte de todos os lados. O ser humano tem que aprender a respeitar o próximo acima de todas as coisas”, concluiu o parlamentar.

 

A diretoria do Sindijornalistas lembra que a jornalista Patrícia Campos Mello não desrespeitou a ninguém. Apenas exerceu o direito constitucional da liberdade de imprensa, quando em 2018 escreveu reportagem sobre o disparo em massa de mensagens no período eleitoral.

 

“O jornalismo é um dos pilares fundamentais da democracia. A função social do jornalista é questionar. A profissão é regida pela Constituição Federal e por um código de ética. Reportagens são escritas com base em provas e com o devido espaço para que todas as partes se manifestem”, explicou Fernanda Coutinho, diretora de Imprensa e Comunicação do Sindicato.

 

Fernanda, que compõe o Comitê de Mulheres da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) acrescentou:

 

“É lamentável que uma declaração como esta parta de um parlamentar que é radialista, foi apresentador de televisão, enfim, é um comunicador. Posicionamentos machistas e misóginos devem ser firmemente combatidos, e não reforçados, ou relativizados”.

 

Confira a fala do parlamentar na íntegra:

 

Entenda

 

Bolsonaro, ofendeu a repórter Patrícia Campos Mello nesta terça-feira (18) com insinuações sexuais. Ele questionou a atuação da jornalista em apurações sobre o disparo em massa de mensagens.
Ele citou Hans River do Nascimento, ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows. Durante a sessão da CPI das Fake News, River disse que Patrícia Campos Mello “se insinuou” para ele para tentar obter informações sobre disparos de mensagens.
“Ela queria um furo. Ela queria dar um furo [pausa, pessoas riem] a qualquer preço contra mim. Lá em 2018, ele já dizia que eles chegavam perguntando ‘o Bolsonaro pagou para você divulgar informações por Whatsapp?”, afirmou Bolsonaro.