Sistema Público de Comunicação é debatido em congresso realizado em Domingos Martins

A programação da manhã do dia 14 do 12º Congresso Estadual dos Jornalistas terminou com a palestra intitulada Sistema Público de Comunicação no Brasil. O tema foi debatido pela diretora de jornalismo da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Nereide Beirão; pelo professor do Departamento de Comunicação Social da Ufes e coordenador do Observatório da Mídia Regional, Edgard Rebouças; e pela professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Valci Zuculoto.

Nereide exibiu um vídeo institucional com uma breve retrospectiva da trajetória da TV Brasil, desde os debates sobre sua criação até os dias atuais. O vídeo pode ser visto no link http://www.youtube.com/watch?v=QzMhW2oHLtY. De acordo com ela, uma das dificuldades nos trabalhos da TV Brasil é a transmissão deficiente, além do fato da emissora ainda ser desconhecida por um grande número de pessoas. Em contrapartida, a diretora de jornalismo destaca que um dos diferenciais da TV é sua independência. “O fato de não haver interferência econômica, por não depender de anunciante faz com que ela tenha independência política”, diz Nereide.

As rádios também tiveram seu espaço no debate por meio da palestra da professora da Universidade Federal de Santa Catarina, Valci Zuculoto, que traçou uma trajetória do radiojornalismo público no Brasil. “O período que se deu entre as décadas de 20 e 40, foi a fase pioneira da rádio pública no Brasil. Destaca-se a criação da Rádio Nacional”, recorda Valci.

Além da Rádio Nacional, a docente destacou a criação da primeira Rádio Universitária do país, que foi ao ar em 1957, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Outro momento importante na história do rádio, segundo Valci, foi em 1969, quando a rádio Cultura, de São Paulo, deixou de ser comercial. As décadas de 70 e 80, de acordo com a professora, é considerada a era de ouro das rádios educativas, enquanto que, nos anos 90, além das educativas, também houve a explosão das FM’s e universitárias.

Quem finalizou o debate foi o professor Edgard Rebouças. Para ela, o Brasil passou por um processo de expropriação do direito à comunicação. “O espaço público passou a ser propriedade dos donos dos jornais e a sociedade passou a ser coadjunvante, receptor, somente”, acredita Edgard, que falou, também, sobre a dificuldade de entender a questão da complementariedade dos sistemas público, privado e estatal, previstos na constituição. “Creio que um dos exemplos de complementariedade seja o programa infantil Vila Sésamo. A atração, apesar de transmitida na Globo, era gravada nos estúdios na TV Cultura, pois a emissora que veiculava não tinha estrutura para isso. Portanto, as duas TVs trabalharam de forma complementar”, diz Edgard.